sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Eu e Eu.


Às vezes sinto saudade de mim mesmo. Eu passo tanto tempo me preocupando com os outros, fazendo de tudo pra manter firmes os laços de amizade que eu esqueço de estreitar relações comigo mesmo. Decidi tirar um tempo  pra cuidar de mim, fechar umas feridas abertas faz muito tempo.

Eu nunca parei pra pensar se eu me conheço bem. Será que eu sei de tudo a meu respeito?
Dizem que ficar muito tempo sozinho faz muito mal. Dizem que um isolamento muito duradouro pode te levar a loucura, mas eu discordo. De vez em quando eu gosto de me isolar durante umas semanas, aproveitar minha própria companhia e tentar organizar a bagunça e desfazer o emaranhado de pensamentos e memórias na minha cabeça, gosto de sentar no terraço nos dias menos quentes de verão, quando o sol não castiga tanto.

Às vezes repassando situações e acontecimentos, eu me pergunto se teria feito diferença se eu tivesse dito ou deixado de dizer alguma coisa, ou feito isso ou aquilo de outra maneira. Quando eu paro e penso que se eu tivesse feito escolhas diferentes eu seria uma pessoa completamente diferente. E aí me vem à mente a grande pergunta: "Se ter feito tudo diferente te fizesse uma pessoa totalmente diferente do que é hoje, você mudaria as suas escolhas?". Eu respondo agora mesmo: Não! Tenho orgulho de quem me tornei. É claro que fiz muita coisa ruim, coisas das quais tenho vergonha até! Mas até mesmo essas coisas vergonhosas ajudaram a formar meu caráter e minha personalidade. Minhas escolhas fizeram de mim o que eu sou hoje.
Daqui pra frente se me perguntarem se me arrependo de algo ou uma má escolha que já fiz sempre vou responder que não, que só me arrependo daquilo que ainda não tive chance de fazer.

É por esses momentos de auto-conhecimento que eu prefiro ficar sozinho. É como olhar por uma janela aberta pra dentro da sua mente.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Surrealism or Reality?

É na floresta dos sonhos perdidos que encontro meu caminho, guiado por memórias que me atormentam e me empurram para frente. E, enquanto eu fujo das minhas sombras, meus fantasmas se alimentam das migalhas que deixei cair da minha alma na vã esperança de achar o caminho de volta. De tanto correr dos meus medos, eu tropeço nas raízes de uma árvore anciã e caio para cima dentro de um buraco nas nuvens e acabo desacordado.

Quando desperto, me encontro preso no interior do nada dentro da nuvem e a única alternativa que me resta é caminhar, pois cair para baixo pelo buraco onde entrei já me parece muito absurdo. Ao longo da minha caminhada sou surpreendido por trovões ensurdecedores e seus raios cegantes, que percebo, depois de me habituar a esses fenômenos, que eles não passam de seres surreais presos numa dança eterna e destrutiva, mas que não deixa de ser bela. As horas viram dias, que viram semanas, que por sua vez já são meses e minha caminhada ininterrupta já gastou todo o meu calçado e a estrada de granizo agora devora a sola de meus pés. 

A pés sangrentos chego a uma encruzilhada e fico dividido entre dois caminhos: um é escuro e remete ao infinito do cosmos e dele saem as vozes dos meus demônios da infância que sussurravam atrocidades em meus ouvidos; o outro caminho é uma queda livre que termina num oceano de sangue, habitado por criaturas feitas de ossadas humanas que anseiam pela minha carne.

Frente a minha dúvida a dança perpétua dos seres ruidosos e cegantes recomeça e como que por pura magia eu capturo um raio com as mãos e tomo minha derradeira decisão, rumando para a caverna dos sussurros saudosos e demoníacos, usando minha arma olimpiana como única fonte de luz e proteção. O que será que há no âmbito deste caminho? Acho que cabe a mim, o peregrino dos pés sangrentos, descobrir.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

E eu ainda espero a chuva cair sobre mim


 Hoje é um daqueles dias em que o tédio me absorve. Sem absolutamente nada pra fazer, eu tenho vontade de gritar o mais alto possível pra ver se essa vontade de pular da varanda do segundo andar passa. Às vezes eu me sinto cinza como o céu de um dia chuvoso de meados de janeiro, quando o Sol dá uma trégua e os trovões tomam o lugar do canto dos pássaros da estação. Na minha mente os trovões rugem todo o tempo e o Sol está sempre encoberto por nuvens carregadas, mas nunca chove. Nem mesmo uma única maldita gota cai das nuvens escuras.

Eu queria que chovesse no solo fértil da minha mente e fizesse florescer todas as coisas que eu ainda não senti e nem pensei. Quem sabe uma só gota não faz nascer em mim a maturidade que vejo em meus amigos que seguem com suas vidas sozinhos e que dão a cara a tapa pro mundo. Assim como os poucos pássaros voando nos céus deste dia chuvoso, se arriscando à molhar as asas e sem medo de que isso possa derrubá-los.

Que o céu continue a derramar suas lágrimas de chuva e molhar a terra da rua de frente pra casa da minha vó, terra que eu tanto pisei e que agora vira lama. E agora o único som que eu pretendo ouvir é o rugir feroz e ensurdecedor dos trovões que com seus raios rasgam o céu cinzento lançando flashes de luz branca na terra coberta pela penumbra das nuvens. Meu desejo é que o Sol continue escondido atrás das nuvens e que chova eternamente.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

The Night and I

A noite me contém e me preenche. A lua me dá força. O céu noturno reflete a minha alma e eu abraço a escuridão como se fôssemos amantes. E se a escuridão fosse personificada em ser humano, nossos corpos se entrelaçariam enquanto fosse noite e reinassem as trevas e a decadência.

Quisera eu ser como as criaturas noturnas e mitológicas criadas por almas solitárias e taciturnas como a minha. Quem me dera atingir o ápice de minhas faculdades sob o reino da deusa lunar, Diana.
Tudo que carrego dentro de mim são as ruínas e os resquícios da felicidade que tanto saboreei quando mais jovem. E nessas ruínas impregnadas de nostalgia, ressentimento e resignação eu pretendo permanecer enquanto durar a minha alma. Existirei para alimentar meu ódio com o medo e a insegurança alheia.

A noite é minha mãe, minha irmã, minha amiga, minha deusa, e minha amante e eu serei seu consorte por toda a eternidade. E até que a escuridão consuma o mundo semearei a discórdia e o caos, sempre ao pés de Diana e ao som da serenata da auto-destruição.